domingo, 30 de agosto de 2009

Cap. 1 Trabalho de Conclusão Julici Lúcia Lippert Altenhofen (2005)
“A MAIOR MÁGICA DE HARRY POTTER: FORMAR JOVENS LEITORES”

1.A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
1.1 O que é ler?
Aprender a ler é antes de mais nada aprender a ler o mundo, compreender o seu texto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa manipulação dinâmica que vincula linguagem e realidade. Ademais, a linguagem da leitura é um ato de educação e educação é um ato profundamente político. (Antônio Joaquim Severino)

Todo indivíduo é um ser no mundo, capaz de pensar, aprender, ensinar, criar e fazer leituras do mundo e da vida. Isto faz com que seja capaz de decodificar as letras, de ler fonemas, de ler palavras, de ler frases, de ler livros e seguir fazendo perguntas necessárias para a vida e a construção da vida em sociedade. Aprender a ler o mundo e a palavra escrita é essencial para mudar as pessoas e para estas mudarem o mundo. Aprender a ler a palavra escrita deve ser um ato da continuidade da leitura que aprendemos a fazer da vida, deve ser um ato de adentrar nos textos, criar uma disciplina intelectual que viabilize um saber vivo, fixado de forma a levar o indivíduo a ter a capacidade de interagir com o mundo de forma criativa, consciente e, acima de tudo, como sujeito capaz de reescrever o mundo, ou seja, transformá-lo através de sua prática consciente.
Teresa Colloner e Anna Camps (2002) acreditam que ler “é a capacidade de ler um texto escrito”. Já a escola contradiz esse conceito com bastante frequência, quando baseia o ensino da leitura numa série de atividades que, supostamente, mostram aos alunos como se lê, sem ter como prioridade levá-los a entender o que diz o texto. Segundo as autoras:

(...) É muito comum, por exemplo, escolherem-se como materiais de leitura pequenos fragmentos de textos ou palavras soltas em função das letras que a compõem, estudarem-se as letras isoladas e segundo uma ordem de aparição preestabelecida, ou se mandar ler em voz alta com atenção centrada naqueles aspectos que serão valorizados e corrigidos prioritariamente: a precisão na soletração, a pronúncia correta, a velocidade de “fusão” dos pronunciados, etc. (...) (p. 29)

Ainda, segundo as autoras, tais práticas educativas estão muito distantes da busca do significado, são consequência de uma concepção leitora que está em vigor há séculos e só foram colocadas em questão nas últimas décadas, pelos avanços teóricos nesse campo. Coloner e Camps acreditam que a descrição atual da leitura realiza-se no interior do marco geral que explica como os seres humanos interpretam a realidade, como processam a informação. Dentro dessa descrição, a concepção tradicional da leitura é vista como um modelo de “processamento ascendente”:

Tal modelo supõe que o leitor começará por fixar-se nos níveis inferiores do texto (os sinais gráficos, as palavras) para formar sucessivamente as diferentes unidades lingüísticas até chegar aos níveis superiores da frase e do texto. Para seguir esse processo, o leitor deve decifrar os signos, oralizá-los mesmo que seja de forma subvocálica, ouvir-se pronunciando-os, receber o significado de cada unidade (palavras, frases, parágrafos, etc.) e uni-los uns aos outros para que sua soma lhe ofereça o significado global. (p. 30)


As autoras acreditam que, atualmente, alguns desses mecanismos não fazem mais parte do processo de leitura, uma vez que o significado não é recebido através da oralização. Existem outros mecanismos que são necessários para se entender um texto e que são chamados pelas autoras de “processamento descendente”. Estes mecanismos não atuam como os anteriores, da análise do texto à compreensão do leitor e sim da mente do leitor ao texto e permitem a ele resolver as ambiguidades e escolher entre as interpretações possíveis daquilo que está sendo lido. Por outro lado, o significado de um texto não é resultado das palavras que o compõem, pois os significados se constroem uns em relação aos outros já que a aceitação de cada palavra depende da frase em que aparece. A estrutura da frase também é responsável pelo significado, pois um parágrafo pode conter a ideia central de um texto, ou constituir um simples exemplo segundo sua articulação no discurso. Coloner e Camps acreditam que uma mensagem verbal jamais oferece o total da informação. Segundo elas, é o emissor que constrói, com as informações que ele julga necessárias, seu significado e também procura ser entendido pelo receptor que deve raciocinar para captar significados que, muitas vezes, não estão no texto (relações implícitas). Dessa forma, o leitor é considerado como um sujeito ativo que utiliza seus conhecimentos (variados) para obter informação do escrito e reconstruir o significado do texto ao interpretá-lo de acordo com seus próprios conceitos e a partir de seu próprio conhecimento de mundo que, segundo Paulo Freire, antecede a leitura da palavra.

A relação entre o texto e o leitor durante a leitura do texto é qualificada por Coloner e Camps como dialética, pelo fato de o leitor basear-se em seus conhecimentos para interpretar o texto, extrair um significado, criar, modificar, elaborar e incorporar novos conhecimentos em seus esquemas mentais, já que o leitor interage verbalmente com o autor por meio do texto escrito. A leitura é, assim, o resultado da produção realizada pelo leitor, tendo em vista seus objetivos e toda a bagagem de conhecimentos anteriores. Se não fosse assim, não seria interlocução, seria apenas o reconhecimento das palavras, mas sem compreensão. Com base nessa reflexão, as autoras lançam o seguinte conceito de leitura:

Em suma, ler, mais do que um ato mecânico de decifração de signos gráficos, é antes de tudo um ato de raciocínio, já que se trata de saber orientar uma série de raciocínios no sentido da construção de uma interpretação da mensagem escrita a partir da informação proporcionada pelo texto e pelos conhecimentos de leitor e, ao mesmo tempo, iniciar outra série de raciocínios para controlar o progresso dessa interpretação de tal forma que se possam detectar as possíveis incompreensões produzidas durante a leitura. (p. 31)

Segundo as autoras, ler é um ato de raciocínio. Já Richard Bamberger (2002) acredita que ler é um processo perceptivo que se amplia num processo reflexivo:

Processo complexo, a leitura compreende várias fases de desenvolvimento. Antes de mais nada é um processo perceptivo durante o qual se reconhecem símbolos. Em seguida, ocorre a transferência para conceitos intelectuais. Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo que as idéias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. O processo mental, no entanto, não consiste apenas na compreensão das idéias percebidas, mas também na sua interpretação e avaliação. Para todas as finalidades práticas tais processos não podem separar-se um do outro; fundem-se no ato da leitura. (p. 23)

Portanto, a habilidade de ler e entender não consiste na capacidade bem treinada de “combinar sons em palavras e palavras em unidades de pensamento”, mas no “reconhecimento imediato de grupos armazenados de palavras” (p. 13). O ato de ler é definido, através de pesquisas nesse campo, como um processo mental de vários níveis e que contribui muito para o desenvolvimento do intelecto. O processo de transformar símbolos gráficos em conceitos intelectuais exige grande atividade do cérebro, que coloca em funcionamento um número infinito de células cerebrais durante o processo de armazenagem da leitura.

1.2 Por que ler?
“A informação está cada vez mais ao nosso alcance, mas a sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, só pode ser encontrada nos grandes autores de literatura. Esse é o motivo pelo qual devemos ler.” (Harold Bloom)


Aprender a ler a palavra escrita deve ser um ato da continuidade da leitura que aprendemos a fazer da vida. Deve ser um ato de adentrar nos textos, de criar uma disciplina intelectual que viabilize um saber vivo, fixado de forma a levar o indivíduo a ter a capacidade de interagir com o mundo de forma criativa, consciente e, acima de tudo, como sujeito capaz de reescrever o mundo.

Ler proporciona o crescimento pessoal e estimula o raciocínio, pois quem lê costuma ser mais ativo e desenvolve idéias próprias. Em entrevista à revista Veja (25 de agosto de 2004) o americano Mark Edmundson, professor de língua inglesa na Universidade de Virgínia e autor do livro “Por que Ler ?”, desenvolve a tese de que a leitura é a “Segunda chance que a vida nos oferece para o nosso crescimento pessoal”. Durante a infância e a adolescência, segundo ele, passa-se por um processo de socialização, aprende-se o que é certo e o que é errado com os pais e os professores e se começa a agir de acordo com o senso comum. Depois, é a leitura que permite desenvolver idéias próprias, conceitos e valores. Sem ela, segundo o autor, “o homem continua sendo um carneiro que segue o rebanho” (p. 96)

Richard Bamberger (2002) afirma que os livros, durante séculos, vêm sendo os portadores do conhecimento de uma geração para a outra, são as pedras angulares da vida intelectual e emocional. Para os jovens leitores, os bons livros correspondem às suas necessidades internas de modelos e ideais, de amor, segurança e convicção. Ajudam a dominar os problemas éticos, morais e sociopolíticos da vida, proporcionando-lhes casos exemplares, auxiliando na formulação de perguntas e respostas correspondentes.

A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sintático da linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem. (...) A leitura favorece a remoção das barreiras educacionais de que tanto se fala, concedendo oportunidades mais justas de educação principalmente através da promoção do desenvolvimento da linguagem e do exercício intelectual, e aumenta a possibilidade de normalização da situação pessoal de um indivíduo. (Bamberger, 2002, p. 10, 11)


A sociedade do futuro é vista como a “sociedade do aprendizado”, uma vez que este deverá ser contínuo, pois irá garantir a continuidade do desenvolvimento econômico. Segundo o autor Harold Bloom (2001), o ser humano deve continuar a ler por iniciativa própria e que o porquê da leitura deve ser a satisfação de interesses pessoais. O autor considera a leitura como hábito pessoal e não como prática educativa, já que as leituras feitas podem ser diferentes, como, por exemplo, ler Shakespeare ou a Bíblia, sendo a busca, no entanto, a mesma. Ele finaliza reforçando a idéia que: “Uma das funções da leitura é nos preparar para uma transformação, e a transformação final tem caráter universal.” (p. 17)
Atualmente, não basta a pessoa completar sua educação escolar. O progresso da ciência e da tecnologia se processa num ritmo tal que a instrução que ministramos hoje será considerada insuficiente amanhã. Por esse motivo, a educação ou a auto-educação permanente é a tarefa do futuro. Segundo Bamberger, é muito importante o papel dos livros nessa auto-educação.

Primeiro há a necessidade de satisfazer os interesses, necessidades e aspiração individuais através da seleção individual do material de leitura. Todo o ser humano pode ser ajudado pelos livros a se desenvolver a sua maneira, pode aumentar sua capacidade crítica e aprender a fazer escolha entre a massa da produção geral dos meios de comunicação. (…) os livros são indispensáveis no sentido de aprofundar essa noção e promover a pesquisa do assunto por conta própria. (2002, p. 12)


A atividade da leitura amplia o repertório de informações. Quem lê, passa a ter novas e diferentes ideias sobre as coisas, as pessoas, os acontecimentos, o mundo em geral. Dessa forma, a leitura representa uma oportunidade muito significativa de aquisição de conhecimento, que pode ser utilizado na escrita, uma vez que a leitura caminha lado a lado com o ensino da escrita. A prática intensa da leitura na escola é, sobretudo, necessária porque ler ensina a ler e a escrever.

Segundo os PCN’s (1997), o trabalho com a leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e, consequentemente, a formação de escritores (não se trata de escritores profissionais e sim de pessoas capazes de escrever com eficácia), visto que a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura que é um “espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras” (p. 53). A leitura é que nos fornece a matéria-prima para a escrita: (o que escrever) e contribui para a constituição de modelos: (como escrever). Ainda, segundo os PCN’s, a leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor e de tudo o que sabe sobre a língua, desde as características do gênero ao sistema da escrita. Como prática social, “a leitura é sempre um meio, nunca um fim. Ler é resposta a um objetivo, a uma necessidade pessoal”. (p. 57)

1.3 O papel da escola e do professor no processo de formação de leitores

Deveria ser objetivo do professor despertar em cada criança um amor pela leitura, um desejo que permanecerá com ele durante todos os anos de sua vida. Se uma criança tiver isso, ela adquirirá a parte mecânica sem dificuldade. (E. Mayne)

“A escola deve ensinar a ler” é o que todos dizem, a começar pela lei. É na escola que podemos identificar a mola motora do crescimento do público leitor, mas é também ela que nos mostra um número alarmante de alunos e alunas que não têm o hábito da leitura e nem dominam a linguagem escrita.

A realidade escolar atual mostra a necessidade de melhorar a qualidade da educação no país. Pesquisas recentes revelam que, no ensino fundamental, o eixo da discussão, no que se refere ao fracasso escolar, tem sido a questão da leitura e da escrita, pois o grande número de repetências nas séries iniciais está diretamente ligado à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever. O secretário estadual da educação, José Fortunati, em entrevista ao Jornal NH (08 de abril de 2005), afirma que: “Muitas crianças até sabem ler, mas não sabem entender, interpretar o que estão lendo” (p. 03), reforçando o que já dissemos anteriormente, que não basta saber ler mecanicamente. É essencial entender o que está escrito.

Uma constatação geral é que o ensino da língua não vai bem e esta é uma questão de domínio comum. A leitura ocupa um lugar de destaque na vida escolar. É resultado da alfabetização e sua prática ocupa toda a carreira escolar do aluno – em todas as disciplinas. O que acontece na atualidade é que professores de Ciências, Geografia e História se alarmam pelo fato de seus alunos não lerem. Não fazem nada, no entanto, para remediar a situação. Permanecem à espera que o professor de Língua Portuguesa resolva o problema. Isto, além de agravar a situação, faz com que estes “professores” não ajudem a garantir a participação plena de seus alunos na sociedade letrada. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, todos os professores, indiferente da disciplina que lecionam, são também professores de leitura. Richard Bamberger (2002) deixa bem claro o que deve ser feito para mudar essa realidade.


(…) todas as autoridades do Estado, da comunidade e da escola, todos os professores, pais e pedagogos precisam estar seriamente convencidos da importância da leitura e dos livros para a vida individual, social e cultural, se quiserem contribuir para melhorar a situação. (p.9)

É importante lembrar que nosso sistema educacional está diante de novos paradigmas e nunca, como agora, se valorizou tanto a leitura. Não se pode culpar somente a escola e o professor pelo fracasso escolar dos brasileiros, existem outros fatores que contribuem para essa situação. Segundo José Moraes (1996):

As razões dos fracassos na aprendizagem da leitura não estão todas ligadas à sociedade e à escola. Longe disso. Existem certamente distúrbios de aprendizagem da leitura que estão associados a deficiências cognitivas da própria criança. A escola e a sociedade não são responsáveis por isso. (p.24)

Acredita-se que toda a criança entra na escola com a esperança de logo ler, ou, quando já sabe, aperfeiçoar sua leitura. Algumas crianças não tardam a ver satisfeita essa expectativa, outras são obrigadas a esperar muito tempo, e algumas desistem de esperar.
A escola é a mais importante instituição na introdução do aluno nas práticas de uso da escrita na sociedade, dando assim uma responsabilidade muito grande para o professor que é formador e também professor de leitura, indiferente da disciplina que ele lecione. A leitura é uma atividade-elo que transforma os projetos de um professor em projetos interdisciplinares que podem ser trabalhados na escola em diferentes séries e disciplinas. A função primordial da escola não é a de informar o aluno, mas a de lhe fornecer os instrumentos necessários para que ele consiga compreender as informações (complexas ou não) do mundo atual e para que ele consiga assumir aos poucos o controle de sua aquisição de saber e de sua formação.
A função do professor não é só a de despertar os alunos para a leitura. É preciso também que demonstre fé na importância dos livros, assim como seu entusiasmo por eles. Difícil é descobrir qual o melhor livro: a única forma de o professor conseguir um leque maior de opções é experimentar ler todas as novidades, os livros que saem nas listas das revistas, os que são comentados durante o recreio, os que ficam nas vitrines das livrarias à espera de um incauto que adora capas bonitas e que nem sempre são armadilhas terríveis. O que é certo, é que existe um livro que vai encantar até o mais relutante dos alunos, mas ele precisa ser encontrado.
O professor precisa estar em condições de apresentar livros específicos, portanto é necessário que ele tenha lido um número suficiente de livros. Se o professor quer transformar seus alunos em bons leitores, precisa mostrar a eles que está tomado pelo amor aos livros. Só assim os jovens irão perceber que a leitura não é só um meio para conhecer o mundo. Perceberão também que a leitura poderá levá-los para um mundo mágico. Segundo Marisa Lajolo (2001):

O professor de Português deve dispor de uma noção ampla de linguagem, que inclua seus aspectos sociais, psicológicos, biológicos, antropológicos e políticos. Ele deve ser usuário competente da modalidade culta da Língua Portuguesa (...) O Professor de Português deve estar familiarizado com uma leitura bastante extensa da literatura, principalmente da brasileira, da portuguesa e da africana de expressão portuguesa. Freqüentador assíduo dos clássicos, sua opção pelos contemporâneos, pelas crônicas curtas ou pelos textos infantis deve ser, quando for o caso, mera preferência. Em outras palavras: o professor de Português pode não gostar de Camões, nem de Machado de Assis. Mas precisa conhecê-los, entendê-los e ser capaz de explicá-los. (p. 21)


A autora segue afirmando que o professor de Português deve estar familiarizado com a história do ensino da Língua Portuguesa no Brasil, com a história da alfabetização, da leitura e da literatura na escola brasileira, para assim poder perceber que o processo da leitura não começa nem se encerra nele, mas poderá dar continuidade aos esforços dos educandos que o precederem, como ainda sinalizar o caminho dos que vão sucedê-lo.

Desde as séries iniciais, é muito importante que os professores percebam que o sistema da língua escrita é um sistema complexo, e que devem oferecer para as crianças uma multiplicidade de caminhos e estratégias para que possam fazer uso delas, contribuindo assim para que elas vejam a leitura não como um processo inseguro de mudar um código de um lugar para o outro, e sim como um desafio interessante que precisam resolver, para que, assim, saibam o que dizem e como devem dizê-lo. Isabel Solé (1998) escreve:

Aprende-se a ler e escrever lendo e escrevendo, vendo outras pessoas lendo e escrevendo, tentando e errando, sempre guiados pela busca do significado ou pela necessidade de produzir algo que tenha sentido. (p. 61)

A criança, uma vez estimulada a ler e a escrever, vai perceber o quanto isto pode ser útil em seu dia-a-dia. Já Bamberger (2002) acredita que aquilo que leva o jovem a ler não é o reconhecimento da importância da leitura e sim:

Várias motivações e interesses que correspondem à sua personalidade e ao seu desenvolvimento intelectual. A percepção dessas motivações e interesses esclarece qual é a tarefa do professor: treinar jovens leitores bem sucedidos, apresentando-lhes o material de leitura apropriado de modo que o êxito não somente inclua boas habilidades de leitura mas também o desenvolvimento de interesses capazes de durar a vida inteira. (p.31)


O professor tem que mostrar, através das atividades que realiza, que vale a pena ensinar, aprender e praticar a leitura. Os professores que lembramos e admiramos e que tiveram alguma influência em nossas vidas com certeza são aqueles que demonstraram gostar de suas matérias e conseguiam transmitir esse entusiasmo pelo saber. O educador deve também interessar-se em investigar os mundos por onde seus alunos andaram antes e depois da leitura. Deve esforçar-se em vislumbrar estes mundos, em fazê-los surgir, pode até se encantar com eles.

A personalidade do professor e seus hábitos de leitura são muito importantes para desenvolver os interesses e hábitos de leitura nas crianças. A própria educação do professor contribui de forma essencial para a influência que ele exerce. Segundo Bamberger, durante o treinamento do professor, devem ser tratadas meticulosamente as seguintes áreas:
• Métodos de avaliação do rendimento e do aperfeiçoamento da leitura;
• Formas modernas de trabalho com livros (leitura na classe, leitura em grupo e leitura individual);
• Exame das conclusões do estudo sobre jovens leitores (fases de leitura; tipos de leitores; motivação para a leitura);
• Avaliação da leitura infantil e exame cuidadoso de cada um dos gêneros;
• Introdução a todos os auxílios disponíveis para o trabalho com livros (listas de livros, literatura profissional etc.). (p.75)

O autor fala ainda que aos professores, em exercício, deveria ser oferecida a oportunidade de se informarem regularmente acerca dos livros infantis, juvenis e da moderna pesquisa sobre a leitura, levando-os a participar de reuniões, cursos especiais, trabalhos em grupo e seminários.
O professor também desempenha um papel importante na educação dos pais, prestando-lhes informações nas “conversas com os pais, reuniões” e deixando bem claro para os pais que a função deles como modelo é decisiva, isto é, se os pais gostarem de ler, induzirão facilmente os filhos a ler regularmente. Serão capazes também de esclarecer e de dar informações sobre as leituras de seu filho (a). Bamberger faz uma relação dos conselhos que os professores devem dar aos pais:

1) Contar histórias e ler em voz alta para os filhos com a maior freqüência possível.
2) Organizar uma biblioteca pessoal para o filho, apropriada à sua idade, aos seus desejos, às suas necessidades e à fase de desenvolvimento em que ele se encontra.
3) Instruir os filhos para gastarem parte do seu dinheiro miúdo em livros (Livros de bolso são livros de “dinheiro miúdo”!).
4) Zelar para que se reserve algum tempo para a leitura no maior número de noites possíveis, na qual cada membro da família lerá o seu próprio livro.
5) Participar da leitura dos filhos, isto é, conversar sobre o que estão lendo.
6) Ajudar os filhos a reconhecer que podem aplicar e usar o que lêem; que os livros dão segurança, luz e beleza às suas vidas. (p. 72)


São poucos os pais que realmente seguem esses conselhos. O que encontramos são pais orgulhosos por terem comprado para o seu filho (em 10 ou 12 vezes) um brinquedo (carrinho, boneca), não que estes não sejam necessários. Muitos desses pais, no entanto, não compram livros para seus filhos porque dizem que os mesmos são muito caros. Cabe ao professor orientá-los a estimular o hábito de ler, de comprar livros ou retirá-los nas bibliotecas públicas, que existem em praticamente todos os municípios à espera de pais e filhos leitores. A criança que cresce vendo um livro entre os seus brinquedos vai aprender que aquele objeto lhe é familiar e dificilmente o rejeitará na fase escolar, fazendo dele um companheiro inseparável para o resto da vida.
Dia 12 de agosto de 2009

Manhã - 4 horas
Iniciei a manhã de quarta-feira apresentando as datas dos nossos próximos encontros (até o final da formação) e também lembrando das tarefas que teremos a cumprir até lá (portfólio e projeto). Também aproveitei para relatar às professoras cursistas sobre minha última reunião com a coordenadora e secretária da educação e que, juntas, decidimos que não seria agora o momento apropriado para aplicar as provas diagnósticas. Combinamos que no início do ano que vem iremos aplicar as provas diagnósticas de entrada em toda a rede municipal, fazer as intervenções necessárias e depois aplicar as provas diagnósticas de saída. As professoras entenderam e concordaram com a decisão. E assim iniciei mais uma oficina:

OFICINA 7
Unidades 13 e 14

Na unidade 13 refletimos sobre os usos sociais e funções da escrita no cotidiano.
Estamos cercados por diferentes modos de organização da informação na escrita: no comércio, os documentos que utilizamos, as revistas, jornais, livros que lemos, os sinais nas ruas, os outdoors, entre outros. O letramento se refere aos modos com que a escrita se apresenta na nossa sociedade, seus usos e suas funções nas diferentes situações comunicativas em que é utilizada coletiva e pessoalmente.
A leitura e a escrita são atividades de comunicação e são utilizadas com funções diferenciadas também da oralidade. Essas situações são parte da cultura ao mesmo tempo em que a constróem historicamente.
Em nossas salas de aula, os usos e funções da escrita devem ser ensinados, discutidos e criticados também a partir da observação do meio em que vivemos.
A partir destas reflexões, as professoras começaram a fazer os relatos das atividades que aplicaram em sala de aula, várias trabalharam o texto “ Nossas cidades”, que foi o ponto de partida para trabalhar a nossa cidade, Ivoti, que recebeu belíssimas homenagens por parte dos alunos. Um dado muito interessante foi levantado pelas professoras, os alunos de várias séries e de diferentes escolas tiveram muita dificuldade em achar algo negativo da nossa cidade. A professora Janine aproveitou a atividade para conhecer melhor o bairro em que a escola está situada, pediu para que eles “lessem” tudo que estava ao redor. As professoras Carla e Aline confeccionaram com seus alunos cartões postais, mostrando as belezas e os pontos turísticos da nossa cidade. A professora Cristiane de Lindolfo Collor criou lindos cartazes com seus alunos para divulgar a II Semana Literária da escola, os mesmos foram expostos nos murais da escola, nas salas de aula e no comércio do bairro, aproveitando a oportunidade para convidar a comunidade a participar.
Projetei no datashow o poema Cidadezinha Qualquer da pág. 97 e fiz uma leitura dramatizada do mesmo.

Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Apresentei a biografia de Carlos Drumond de Andrade e fiz os seguintes questionamentos:
Como era Itabira em 1930?
Como é a nossa cidade?
Que outras cidades vocês gostariam de conhecer? (reais ou não)
Aonde vocês gostariam de morar? Ou viajar?
Por que o título Cidadezinha no diminutivo?
“ Qualquer” é um elemento negativo?
A seguir fiz uma análise quanto a estrutura do poema:
Frases nominais, sem verbo, que dão a ideia de uma fotografia.
Estrutura simples, mostra a rotina “nada para fazer”
Segunda estrofe, andar sem rumo, mesmas classes gramaticais.
“Janelas” olham, seriam mulheres, de dentro da casa?
“Besta” um só adjetivo, como substantivo designa animal.
“Eta vida besta meu Deus” De quem? Do poeta? Das mulheres?
Em conjunto, planejamos uma proposta de trabalho para cada série de 5ª à 8ª. Planejamos a exploração do poema com os alunos.
Para a 5ª série pensamos em fazer a cidade do poema através de desenhos (como o aluno a imaginou).
Para a 6ª série pensamos em fazer uma relação entre o poema e a obra “O Mágico de Oz”, analisando as diferentes cidades: a do poema, a do Kansas (cinza) e a do mundo mágico (colorida), no qual Doroti vai parar.
Para a 7ª série pensamos em fazer uma relação com o texto “A Cidadezinha” de Monteiro Lobato.
Para a 8ª série pensamos no poema de Mario Quintana “Uma canção”, que traz a cidade de Porto Alegre cheia de relógios.
Também foi comentado sobre a música “Horizontes”, que traz a possibilidade de trabalhar a cidade através da letra da música, com qualquer série.
Passei então a palavra para a professora Janine que trabalhou o mesmo poema em sala de aula, ela levou um mapa para a sala de aula e pediu para que os alunos identificassem no mapa a cidade de Itabira ( viram que não fica tão longe assim). Também passou a biografia do autor. Uma 7ª série, após ter feito toda a parte da interpretação, produziu paródias sobre a nossa cidade a partir de músicas que os alunos conheciam. Outra 7ª série criou a “Cidade dos Sonhos” a partir das atividades desenvolvidas com o poema. A professora comentou sobre a alegria dos alunos ao criar a sua cidade dos sonhos, porém alguns deixaram de fora a escola.
A seguir passei para as professoras um texto que eu gosto muito de trabalhar em sala de aula:


A CIDADE DO ÓBVIO

É fácil localizar a cidade do Óbvio. Ela fica exatamente onde você esperava que ela ficasse e, inclusive, está identificada no mapa pela palavra “Óbvio”. Quem for de carro deve seguir as indicações na estrada até chegar onde quer ir: é Óbvio. Pode-se ir de ônibus, tendo o cuidado de pegar um ônibus que não vá para outro lugar, ou de trem, desde que se desça na estação certa. O nome da cidade, Óbvio, estará escrito na estação com letras. Se o nome na estação for outro, não é Óbvio. É claro.
Em Óbvio tem uma praça central onde ficam a igreja matriz e a prefeitura. A igreja é usada para missas, enquanto a administração da cidade se concentra, convenientemente, na prefeitura.
Apesar de uma certa mesmice , as casas de Óbvio, todas feitas com material de construção, se distinguem por certos detalhes arquitetônicos, como janelas e portas que abrem e fecham. Existem ruas. A cidade é cheia de lugares-comuns.
Em Óbvio conversa-se pouco. Primeiro, porque desde a fundação da cidade ninguém jamais teve um pensamento original e os assuntos se repetem. Segundo, porque as pessoas, quando se encontram, não precisam dizer nada. Em Óbvio está tudo na cara.
Óbvio fica logo depois de Evidente para quem vai a Redundância.
Os principais produtos da região são os truísmos e as coisas feitas ali mesmo. Quando a temperatura baixa, faz frio, mas os termômetros sobem quando esquenta.
E Óbvio tem uma peculiaridade quanto ao clima. Lá só chove no molhado.

Luis Fernando Verissimo

Avaliação – A avaliação desta oficina foi muito boa, todas as professoras adoraram as atividades que foram trabalhadas na oficina, assim como as que foram levadas para a sala de aula.

OFICINA 8
Unidades 15 e 16

Iniciei a oficina lembrando que nos encontros anteriores falei muito sobre “ o mundo mágico da leitura” e do “ler por prazer”.
De certo modo, fica meio escondido um dado importantíssimo do ato de ler: a leitura implica esforço, aprendizagem nem sempre muito fácil, disposição (Lembram da leitura de Grandes Sertões Veredas). Afinal, ler e escrever são experiências conquistadas pelo trabalho (Luis Fernando Verissimo diz que é como um outro trabalho qualquer), que pode, sim, ser compensador e tornar-se prazer, alegria, viagem...
Na verdade, seja qual for a forma de entender a leitura, não podemos deixar de considerar que ela é sempre um meio. Lemos sempre para alguma coisa: para saber mais, para nos alegrar, ela é sempre uma forma de nos entendermos e de nos situarmos no mundo – do universo familiar ao mais amplo.
É pensando em tornar esse trabalho não só mais direcionado, mas sobretudo mais significativo, que as unidades 15 e 16 enfatizam a importância das perguntas, nos vários momentos do processo de leitura. Um dos recursos essenciais na procura do conhecimento em geral é a pergunta. As questões que nos fazemos, ou fazemos aos outros, são uma boa medida do nosso interesse e dos caminhos que percorremos, quando queremos aprender alguma coisa. São, afinal, uma forma importante de interação com o mundo.
Também na ajuda ao aluno para a construção do significado do texto, a formulação de perguntas é de um valor inestimável, sobretudo quando temos consciência de que elas podem ter objetivos muito diferentes – de motivação à leitura até a comparação e crítica do texto. Por isso mesmo, a consideração das respostas tem de ser, também, diferente.
O processo da leitura pode ser considerado uma sequência de perguntas / hipóteses que o leitor faz (mesmo inconscientemente) em torno do texto. Por isso mesmo, nossas perguntas devem ajudar nosso aluno a avançar na formulação de suas próprias perguntas, caminhando para uma leitura autônoma. Daí a importância de se trabalhar também com perguntas formuladas pelos próprios alunos. Da mesma forma, é importante pensarmos que o trabalho com o texto pode ser muito mais produtivo quando é uma atividade compartilhada.
A partir desta reflexão, as professoras iniciaram os relatos de experiências que tiveram em sala de aula, apresentaram as atividades que aplicaram e falaram das dificuldades que os alunos apresentaram em formular as próprias perguntas referentes a um texto. O comentário geral foi de que o nosso aluno não está habituado a fazer perguntas sobre um texto, estão tão “bitolados” a só responder que tiveram muitas dificuldades em criar perguntas com sentido e possíveis de serem respondidas.
Ao final da oficina, pedi para que as professoras, em dupla ou em trio, fizessem uma avaliação das oficinas 7 e 8. Pedi que seguissem a seguinte ordem:
Avaliação – analisar a proposta e a execução da oficina (da elaboração feita pelo programa até sua realização: atitude do grupo, explicações e conduta do Formador, tempo, espaço, etc.).
Fiquei muito satisfeita ao, em casa, ler as seguintes avaliações:
“ Nossa formadora é bastante flexível, democrática quanto aos horários dos encontros. Sempre traz sugestões, propostas diversificadas, tornando nossos momentos ricos em oportunidades e em aprendizagem.
O fato de podermos compartilhar momentos de elaboração dos planos de aplicação nos próprios encontros, tem facilitado nossa prática diária.
Uma dificuldade que sentimos em relação ao acúmulo de atividades que precisam ser conciliadas, entre as que a escola propõe e aquelas que precisamos aplicar do projeto, muitas vezes, estas ficam incompletas ou inacabadas.
O aprofundamento das atividades acaba ficando superficial, em detrimento do curto espaço de tempo de que dispomos.
Além disso, estamos preocupadas com a gripe (H1N1), uma vez que temos que recuperar dias letivos em outros estabelecimentos de ensino em que trabalhamos e ainda ajusta-los ao curso.
Antecipando ainda uma preocupação sobre o projeto que precisa ser aplicado, as unidades das aulas e ainda dar conta do conteúdo proposto para as séries.”
( Professoras Janine e Adriane)

“ O TP 3 tinha atividades mais fáceis de serem aplicadas em relação ao TP 4. Os temas do TP 4 não são facilmente adaptáveis a todas as séries ( não queremos que tudo seja fácil mas, devido ao pouco tempo que temos para o planejamento e a aplicação, é um fator que dificulta).
A organização das oficinas é boa, nossa formadora traz materiais diversos e relacionados aos temas trabalhados. Demonstra conhecimento sobre o material, dando várias idéias.
O projeto é algo que ainda nos preocupa, pois não foi trabalhado, item por item. Poderia ser mais comentado sobre ele, trazendo diferentes exemplos.”
( Professoras Denise, Elisângela, Silvana)

“Os encontros do Gestar II estão sendo muito proveitosos, pois podemos trocar idéias, experiências, sugestões, aumentando assim a nossa aquisição e reflexão da teoria e prática.
O material é bastante variado e de fácil compreensão e com atividades interessantes para trabalhar com os alunos.
Apenas o pouco tempo que temos para desenvolver as atividades é desfavorável, que muitas vezes ficam incompletas.”
(Iria e Cláudia)

“Como já comentamos, o material, a proposta, os encontros, a troca de materiais e ideias estão sendo muito significativos. Porém, o problema maior é o tempo. Não há tempo suficiente para nos dedicarmos a cada livro e aprofundarmos os assuntos.”
(Aline F. e Carla K.)

“Acreditamos que, da mesma forma como nas oficinas anteriores, sentimos a dificuldade em relação a falta de tempo.
Um dos pontos positivos é a troca de idéias com as colegas. A professora formadora é muito prestativa e se empenha muito para facilitar os trabalhos”
(Keina e Marina)


Dia 12 de agosto – tarde (13h às 18h.)

Na parte da tarde, havíamos combinado uma visita ao Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) para ver a exposição de Artes da França 1860-1960. Mostra que reúne grandes artistas como Renoir, Picasso, Matisse, Cázanne, Monet, Modigliani e Manet. Aproveitei nossa visita a Porto Alegre e também agendei visitas às editoras Ática/Scipione e Atual. Fomos muito bem recebidas, cada professora recebeu quatro coleções de livros didáticos, além de vários livros de literatura, além de um delicioso café com petiscos.






Não foi possível tirar fotos dentro do museu, fiquei muito emocionada ao ver de perto tantas obras que antes só havia visto nos livros de literatura. Foi uma tarde muito agradável e proveitosa. Abaixo seguem textos de alguns emails que recebi depois do passeio.
Keina- “Gostei muito das visitas, e acredito que foram muito importantes, não só pela apreciação dos quadros, mas também para se desligar da correria da semana. As coleções de livros são atraentes e, com certeza de grande auxílio.”

Janine- “Puxa! Gostei muito da nossa visita ao MARGS, nunca pensei que estaria diante de quadros tão famosos que só tinha trabalhado através dos livros, nas aulas de literatura... Senti-me na França!

Elisângela- “A oportunidade de conferir ao vivo obras de pintores já estudados na faculdade.”

Iria- “Foi excelente, pois tudo que se refere a cultura é gratificante e prazeroso. Achei perfeita a frase de um pintor que dizia o seguinte: A nudez da mulher contém mais sabedoria que das lições de filósofo”
Professora Formadora: Julici Lúcia Lippert Altenhofen
Município Ivoti-RS / atende Lindolfo Collor
Terceiro Relatório GESTAR 2
24/07/2009 à 12/08/2009
Local: Uniritter – Porto Alegre


24/07/2009 4 horas

Nos dias 23 e 24 de julho o município de Ivoti promoveu o XIII Seminário Municipal de Educação. No dia 23 tivemos a presença do conferencista Cipriano Luckesi, que falou sobre o tema “ A avaliação do Aprendizagem: Um Ato Rigoroso e Amoroso”. No dia 24, pela manhã, tivemos uma conferência com a doutora Marilene Cardoso sobre o tema “ Educação Inclusiva e Diversidade: Uma Prática Educativa Junto a Alunos com NEE”. No período da tarde, foi a vez dos colóquios, onde tive um espaço para o Gestar 2 “A leitura e os processos de escrita”.
Iniciei a tarde apresentando a “ Caixa de Linguagens”, li o texto que levei para fazer parte da caixa, e as colegas fizeram o mesmo. Cada professora contribuiu com um texto para a nossa caixa de linguagens. Pedi que, se possível, cada turma tenha a sua caixa de linguagens dentro da sala de aula e que os próprios alunos fiquem responsáveis em “abastecê-la”. O fato de ter outras atividades culturais nesta tarde fez com que eu enviasse por e-mail parte do material da tarde. Discutimos o capítulo 1 do trabalho de Conclusão que realizei no ano de 2005 sobre a importância da leitura. Primeiramente discutimos sobre “ O que é ler?”. Lembramos Paulo Freire que diz que a leitura do mundo, antecede a leitura da palavra, e partimos para a temática “ Por que ler?” e para terminar falamos do papel da escola e do professor no processo de formação de leitores.
Também preparei um material “ Contação de histórias – para jovem gostar de ler” extraído da obra de Celso Sisto “Textos e Pretextos sobre a arte de Contar Histórias” que diz que o professor, para formar leitores, precisa antes de tudo, ser leitor. O autor afirma que o professor deve ser um agente da leitura, deve contar histórias tanto para crianças quanto para jovens e adultos e para isso conta com algumas “receitas”: Estratégia de Sedução, Fase de Escolha, Fase de Preparação, Fase de Contação e O Depois. Celso Sisto diz que a Aquisição de Hábito, a transformação do gosto da leitura e a passagem da leitura ingênua para a leitura crítica é um trabalho a longo prazo.
Usei o exemplo da autora Jane Tutikian, que esteve na minha escola conversando com os alunos, ela faz uma comparação, diz para imaginarmos que estamos dentro de uma caverna, temos fósforo para iluminar nosso caminho, ela diz que a leitura é essa luz que ilumina nossa caminhada.
E para terminar apresentei o texto “O exemplo ensina” que faz com que nós, como educadores e como pais reflitamos sobre as nossas atitudes.


O exemplo ensina
Houve certa vez uma reunião muito importante no fundo do mar. Era a reunião dos caranguejos. O mais velho dos caranguejos a havia convocado, para tomarem, segundo o que ele pensava, uma decisão muito importante.
Vieram caranguejos de todos os mares, desde mares pequenos e águas tranquilas, até aqueles que vinham dos oceanos mais agitados. Até aqueles que viviam nos rios mais contaminados mandaram o seu representante. A reunião começou pontualmente.
O LÍDER PEDIU A PALVRA E DISSE: - MEUS AMIGOS, VIEMOS FAZENDO ALGO QUE TEM SE CONSTITUÍDO COMO UM PÉSSIMO EXEMPLO PARA O RESTO... É UM COSTUME QUE TEMOS QUE MUDAR.

MUITO PREOCUPADOS TODOS O OLHAVAM COM CURIOSIDADE. UM JOVEM CARANGUEJO DE ÁGUA DOCE NÃO PÔDE REPRIMIR A CURIOSIDADE, E PERGUNTOU:
-E QUAL É ESTE COSTUME? POR QUE ACREDITA QUE É UM MAL EXEMPLO PARA O RESTO...?

O CARANGUEJO ANCIÃO RESPIROU FUNDO. MUITO PREOCUPADO TOMOU A PALAVRA NOVAMENTE E CONTINUOU: -O DIREI SEM RODEIOS. DEVEMOS DEIXAR DE ANDAR PARA TRÁS. TODOS NOS USAM DE EXEMPLO NEGATIVO E FALAM DE NÓS COMO RETRÓGADOS.

UM CARANGUEJO VERMELHO QUE VINHA DE MUITO LONGE, DANDO-SE CONTA DO SÉRIO PROBLEMA PERGUNTOU: - E O QUE PROPÕEM PARA REMEDIAR O PÉSSIMO EXEMPLO QUE DAMOS?

O CARANGUEJO LÍDER CONTINUOU: -SEREI REALISTA. PARA NÓS JÁ É MUITO DIFÍCIL MUDAR, MAS PARA OS CARANGUEJOS PEQUENOS SERÁ MAIS FÁCIL. EU PROPONHO QUE AS SUAS MÃES LHES ENSINEM A ANDAR PARA FRENTE.


Os caranguejos se emocionaram com a sinceridade com que havia lhes falado, e concordaram com entusiasmo a proposta. Desta forma ficou instituído que todos os caranguejos que nascem deste momento em diante, seriam instruídos por suas mães para caminhar para frente.
Cada um voltou para o seu lar. E as mães começaram a ensinar aos seus pequenos. Guiaram com amor suas patinhas, primeiro uma para frente depois a outra. Insistiram na nova forma de avançar. Os pequenos tentaram seguir as instruções, ainda que fosse muito difícil e complicado. Mas com sinceridade trataram de fazê-lo.
No entanto aconteceu algo curioso. Suas mães lhes diziam como deviam caminhar, mas elas mesmas e todos os outros caranguejos continuavam a caminhar para trás como sempre. –“Como é que eles fazem uma coisa e me ensinam outra?” disse um pequeno muito estudioso. Os demais concordaram. Alguns pensavam que era uma brincadeira que eles queriam jogar, outros diziam que deveria ser mais fácil caminhar para trás, por isso os outros o faziam.
Em vista de insurgência, tiveram que convocar outra nova reunião de caranguejos. –“A norma que propus não funciona”, admitiu o caranguejo líder que sempre dizia a verdade. E continuou : -“E não funciona por que não predicamos com o exemplo e o certo é que não podemos pedir para os outros, que façam o que nós não fazemos”
A história diz que esta é a razão pela qual os caranguejos seguem andando para trás. E a lição que aprendemos com esta simpática estória, nos ensina que os outros prestam mais atenção ao que fazemos, que ao que dizemos. E é uma verdade que devemos aprender.
Predicamos muito mais com o exemplo que com todas as palavras do mundo.

domingo, 2 de agosto de 2009

14 de Julho de 2009 8horas
Iniciei a manhã de terça-feira fazendo uma atividade com a temática Amigos, cada professor escolheu uma cor que o representasse e com essa canetinha escrevia numa cartolina o que significa a palavra Amigo. Cada um escreveu e após passei o vídeo “As cores da Amizade”. Falei sobre a importância da amizade e de que nós, que somos colegas, trabalhamos na mesma rede de ensino, estamos nos aproximando com os encontros do Gestar. Falei da importância de trabalhar a temática Amigos em sala de aula, por causa do Dia do Amigo que é dia 20 de julho, lembrando que nossos alunos, de uma mesma classe, todos são colegas, mas não, necessariamente, amigos. Nós professores não temos como obrigá-los a serem amigos, mas precisamos fazer com que todos se respeitem dentro da sala de aula. Cada professor cursista recebeu um CD com fotos e os vídeos de todas as atividades que lhes foram apresentadas até o momento.
Passei no datashow a apresentação enviada por uma colega para nosso email coletivo sobre “Gêneros X Tipos textuais”.
Iniciei o estudo do TP4 apresentando a temática do mesmo: estudar a relação entre a cultura e os usos sociais e funções da escrita nos contextos em que vivemos e sua importância para o ensino. Fiz um pequeno resumo sobre a história da escrita e suas funções:
1) Ampliou a potencialidade de nossa memória
2) Possibilitou a comunicação a distância
3) Tornou-se um instrumento de poder
Apresentei a diferença entre o aluno alfabetizado e o letrado:
Alfabetizado: aquele que domina a leitura e a escrita (sabe ler e escrever). Domina o texto clássico (codifica e decodifica)
Letrado: usa a leitura e a escrita como ferramenta para a ascensão social. Tem capacidade de transformar a realidade através da leitura e da escrita. Alguém que está além da mera leitura.
Lemos o texto de Paulo Freire da pg. 19 TP4 e discutimos sobre a leitura de mundo. Assim já entramos em mais uma das temáticas do TP4, fazer com que o aluno olhe para a sua cidade e se dê conta do quanto ele lê aquilo que está ao seu redor.
É tradição nas escolas do município, cada uma ter a sua festa junina, o que vem ao encontro com o material que traz a Unidade 13, pensando em enriquecer mais este tema, apresentei o trabalho que é realizado pelo CTG da nossa cidade que fala sobre a cultura Gaúcha (RS) e a caipira (SP), encaminhei o vídeo para que as professoras trabalhassem em sala de aula.
Entreguei uma bula de paracetamol para cada professora e juntas fizemos seu estudo e o quanto este material pode render em sala de aula. Também levei embalagens vazias que, ao invés de irem para o lixo, podem ser um belo material para a sala de aula.
Dividi a turma em quatro grupos e pedi que fizessem planos de aula para as quatro séries (5ª à 8ª) das unidades 13 e 14.
Ao final da manhã os grupos apresentaram os planos de aula que serão passados para todas as colegas. As professoras mencionaram o fato de o TP3 trabalhar um início tema- O Trabalho. Sentiram falta disto no TP4.
Para terminar, lemos e discutimos o texto “O Processo da Leitura” de Maria Antonieta Antunes Cunha (pg 69 TP 4). Também entreguei para elas o material que recebi do professor Maurício sobre “Cordel, a palavra encantada”, pois havíamos comentado o mesmo nas nossas reuniões dos grupos de estudos de Língua Portuguesa que temos no município.






14 de julho TARDE
“Eu bato palmas... conto até três
E entro no mundo do Era uma vez...
Tudo, tudo o que eu sonhar
Na minha bolsa amarela, irei encontrar!”
É assim que inicio a hora do conto que faço para os meus alunos nas Oficinas “O Mundo Mágico da Leitura” que dou nas diferentes escolas e municípios que ando. E foi assim que iniciei nosso encontro da tarde, apresentei a bolsa amarela e falei do seu significado para mim, ela que me faz viajar para um mundo mágico, um mundo cheio de fantasia e imaginação.
“Venham comigo, vamos voar!
No mundo dos sonhos aterrissar...
Embarquem nas asas da imaginação
Abram as portas do coração!”
Tirei da bolsa a obra “Coração de Tinta” de Cornelia Funcke e fiz um pequeno resumo da obra. A seguir passei o filme com o mesmo título e inspirado na obra.
“ Quem é que nunca desejou conhecer ao vivo os personagens de seus livros prediletos? Mo, além de exímio encardenador, tem uma habilidade insólita: ao ler em voz alta, dá vida às palavras, e as coisas e seres das histórias surgem ao seu lado como que por mágica. Numa noite fatídiga, quando sua filha Meggie ainda era praticamente um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro misterioso chamado “Coração de Tinta” e acabou mandando para lá sua mulher”
O próprio Mo diz que a palavra escrita é muito poderosa. A tia de Meggie, que tem uma imensa biblioteca em casa diz para a sobrinha que conheceu o mundo, fez uma viagem ao centro da terra, conheceu todos os lugares que se pode imaginar sem ter saído daquela sala, e diz que os livros podem nos levar para qualquer lugar.
As professoras cursistas gostaram muito do filme, deixei como sugestão levar o mesmo para a sala de aula e discutir com os alunos a importância dos livros.
Novamente foram feitos grupos para fazer os plano de aula da 5ª à 8ª séries, agora das Unidades 15 e 16. Quando estes estavam prontos foram apresentados e a seguir encaminhados para todas as professoras formadoras.
Oficina 6 Unidades 11 e 12
Iniciei a oficina lembrando o conceito de Tipos Textuais pg. 99 TP3 “As sequências tipológicas mais frequentes são a descrição, a narração e a dissertação, mas esse último termo, na verdade, engloba dois: a exposição e a argumentação. Alguns autores acrescentam ainda a instrução (ou injunção) e o diálogo (também chamado de conversação).”
Lembrando o que diferencia um do outro, e que muitas vezes encontramos uma mesclagem de tipos textuais, tendo que se analisar qual deles predomina. Os tipos textuais são definidos pela forma de organização, pela predominância das categorias gramáticas que levam o autor/ouvinte a compreender o texto. (Pg. 151 TP3) “Os tipos textuais, definidos pela predominância das características linguísticas, compõem o plano composicional dos gêneros: aparecem na forma de organização do texto. Podem servir também como parte da classificação dos gêneros quando são necessários ou ocorrem com muita frequência em um ou outro. De qualquer maneira é inevitável a articulação entre gêneros e tipos, pois nestes se constroem linguisticamente aqueles.”
Lemos juntas o texto de Jô Soares “Composição: O salário Mínimo” e fizemos uma análise do mesmo, concluindo que mesmo que a estrutura seja de uma redação escolar (folha de caderno, letra cursiva) e o narrador seja um menino; a linguagem usada e a crítica que tem por trás, mostrou que o autor usou um tipo textual para tratar de um assunto de interesse geral.
A seguir as professoras cursistas fizeram um relato das atividades que levaram para a sala de aula e fizeram seus comentários: A professora Marisa mencionou o uso de jogos (cara a cara/ imagem em ação/perfil) que levou para os alunos e que serviu para iniciar a descrição. A professora Elisângela levou uma batedeira para a sala de aula e aproveitou para introduzir o assunto: verbos. A professora Denise falou sobre a experiência que foi a apresentação das entrevistas que seus alunos fizeram com diferentes pessoas.
As professoras Janine e Silvana aplicaram a mesma atividade em diferentes turmas, e a última mencionou como foi frustrante perceber que não fez lings entre os tipos textuais (em uma aula trabalhou a fábula e na seguinte a descrição) sem ao menos trabalhar a relação entre um e outro.
Novamente fizemos a avaliação das Unidades 11 e 12 do TP3 em grande grupo.
Pontos positivos: → Material bem diversificado
→ A ultilização de jogos
→ Linguagem clara
→ Parte teórica
→ Bibliografia confiável

Pontos negativos: → Tempo: (pouco tempo para aplicar)

SUGESTÕES: → Prazo maior
3º encontro Oficina unidades 09 e 10 4 horas
04/07/09
Para iniciar a oficina retomei o conceito de texto pg. 19 TP3 “texto é toda e qualquer unidade de informação no contexto da interação; entendo-se interação como uma ação entre sujeitos, entre interlocutores... um texto, pode ser oral ou escrito, literário ou não-literário, de qualquer extensão.” . Lembrei dos exemplos que já foram usados para conceituar texto: a fisionomia de um aluno, uma placa... As professoras mencionaram o fato de vários alunos terem ficado em dúvida se uma placa poderia ser classificado como um texto.
Já os gêneros textuais (pg. 25 TP3) “são maneiras de organizar as informações linguísticas de acordo com a finalidade do texto, com o papel dos interlocutores e com as características da situação”. Como o tema gêneros textuais tem sido bastante estudado nestes últimos anos e pode apoiar um trabalho de estudo da língua bem mais significativo e consistente, as professoras trouxeram muitas contribuições, mencionaram o material que recebemos no último “Ler é Saber”, que abordou o mesmo tema. Para Bazerman (2005 pg. 11) “gêneros são fatos emergentes na atividade de compreensão intersubjetiva em situações típicas em que se deve coordenar atividades e compartilhar significados, tendo em vista propósitos práticos”
As professoras começaram então a fazer o relato das experiências que tiveram ao levar o material do Gestar 2 para a sala de aula:
A professora Janine aproveitou para trabalhar a biografia da autora que virá para a escola, Annie Piaggetti Müller, falou da dificuldade que os alunos tiveram em achar um ídolo e da experiência de trabalhar a biografia do aluno.
As professoras Aline e Carla da escola 25 de julho, trabalharam o Gestar de uma forma diferente, oferecem oficinas no turno inverso e os alunos se inscreveram por interesse, as duas fazem o mesmo plano de aula, porém aplicam em turmas diferentes. Elas levaram para a sala de aula diferentes gêneros textuais, questionaram os alunos quanto a suas características/tema/destinatário...
A professora Adriane começou suas atividades questionando o conceito de texto e fez uma análise de um jornal. A professora Keina levou seus alunos para a sala de informática, eles entraram no site do PDF e realizaram as atividades no site, ela comentou que os alunos adoraram a idéia e pediram para ir mais vezes ao laboratório fazer atividades e não só copiar e responder atividades do caderno.
A professora Cristiane de Lindolfo Collor levou para a sala de aula seu notebook e aproveitou para pesquisar a biografia da autora que terá um bate-papo com os alunos na feira do livro da escola. A professora Denise trabalhou os diferentes gêneros e também as características do texto.
Já a professora Elisângela passou por uma experiência diferente, a turma em que aplicou as atividades fez a biografia de um ex-colega que publicou um livro e que estará fazendo o lançamento do mesmo na escola.
A professora Silvana trabalhou uma música com os alunos e fez a descrição de sete personagens (ampliados) do livro da turma do MEET. Falou da satisfação de terem vendido mais de 200 livros na escola enquanto que a meta era só vender 100.
O texto “Poema tirado de uma notícia de Jornal” pg. 192 foi lido, e falei sobre a transposição de gênero. A seguir dramatizei o poema “Vou-me embora para Pasárgada”


Comentei da experiência que tive em sala de aula quando uma aluna apresentou em forma de poema um dos livros do Harry Potter, tendo como base o poema acima apresentado:


Hogwarts
Vou para Hogwarts
Uma escola de magia e bruxaria
Onde aprenderei feitiços e encantos
Para esquecer o mundo dos trouxas
Onde vivo
Voarei na minha vassoura
E jogarei quadribol até cansar
Lá terei aula de Defesa contra as Artes das Trevas
Para saber me defender
Quando tiver que lutar
Contra os bruxos do mal
Ficarei longe da confusão daqui
Em Hogwarts tem tudo que quero
Sempre que irei para lá
Oferecerão banquetes se sapos de chocolates
Colecionarei as figuras de bruxos famosos
E tomarei cerveja amanteigada até explodir
Com a minha varinha mágica
Poderei realizar meus sonhos
Farei aulas de Entretenimento e Distração
Irei me divertir
Nas aulas de Poções
Cozinharei diversos feitiços
No meu caldeirão.
Em Hogwarts existem todas as fórmulas
Que preciso para esquecer daqui


Em Hogwarts tem tudo que quero.Antes de fazermos a avaliação da oficina, passei no datashow o texto de Fanny Abramovich “Que raio de professora sou eu?” e falei da importância/significado que temos na vida dos alunos, é claro que não iremos “tocar” todos, alguns sim e são esses que vão nos dar força para seguir em diante e enfrentar os obstáculos.Falei também que encontrei a bem pouco tempo atrás a minha ex-aluna Mayara Molder, que escreveu o poema Hogwarts, ela veio na escola fazer estágio do curso de Letras, no qual estava quase se formando, e o mais importante, muito feliz com a escolha que fez.
E então, encaminhei a Avaliação do TP 3, bem como, todas as atividades propostas até o momento. Pedi que escrevessem sobre três itens: Pontos Positivos
Pontos Negativos
Sugestões
As professoras pediram para que a avaliação fosse feita no grande grupo, eu apenas tomei nota:

AVALIAÇÃO UNIDADES 9 e 10 TP3
PONTOS POSITIVOS: →Elaboração dos planos de aula/ sugestões das colegas e professora formadora
→Todas se dedicaram, leram todo o material (material muito bom)
→Já conheciam a teoria, estavam preparadas
→Sugestões do TP 3 são confiáveis

→Linguagem simples e direta
→Diversidade do material (textos/ vídeos)
→A comunicação (email)
→Alunos foram muito receptivos (gostaram do material)
→Trocas entre as colegas.
PONTOS NEGATIVOS: →Tempo (pouco) muito material (muito rico) para pouco aproveitamento
SUGESTÕES: →Ampliar tempo (estender até 2010)
→Considerar a formação como pós-graduação.
2º encontro 22 de Junho 8 horas
Iniciei a manhã de segunda-feira com o vídeo “Expressões Idiomáticas- Mensagem aos amigos”. Lemos os textos e as imagens do vídeo e a partir disso iniciei o assunto do TP3 “o texto é a base de tudo, não iremos trabalhar com palavras ou frases isoladas, não esquecendo que é por meio de palavras e de frases que os textos se controem”
Lemos juntas o texto “Diferentes Concepções de língua na prática pedagógica” da professora da UNB, Maria Luiza Monteiro Salles Coroa e fizemos uma reflexão sobre o mesmo. Apresentei o conceito de texto de Elisa Guimarães na obra “Articulação do texto” (pg.14).
“Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno... São textos, portanto, uma frase, um fragmento de um diálogo, um diálogo, um provérbio, um verso, uma estrofe, um poema, um romance, e até mesmo uma palavra-frase, ou seja, a chamada frase de situação: “ Fogo.”, “ Silêncio!”.
Questionei as professoras quanto a diferença entre gênero e tipo textual, apresentei o conceito de Marcuscki na obra “Produção textual, análise de gêneros e compreensão”.
“O estudo dos gêneros não é novo, mas está na moda e, no Ocidente, já tem pelo menos vinte e cinco séculos, se considerarmos que sua observação sistemática iniciou-se em Platão. O que hoje se tem é uma nova visão do mesmo tema. Seria gritante ingenuidade histórica imaginar que foi nos últimos decênios do século XX que se descobriu e iniciou o estudo dos gêneros textuais. Portanto, uma dificuldade natural no tratamento desse tema acha-se na abundância e diversidade das fontes e perspectivas de análise”. (pg.147)
“Tipo textual designa uma espécie de construção teórica {em geral uma sequência subjacente aos textos} definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo}. O tipo caracteriza-se muito mais como sequências linguísticas (sequências retóricas) do que como textos materializados; a rigor, são modos textuais. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. O conjunto de categorias para designar tipos textuais é limitado e sem tendência a aumentar. Quando predomina um modo num dado texto concreto, dizemos que esse é um texto argumentativo ou narrativo ou expositivo ou descritivo ou injuntivo.
Gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os gêneros textuais são os textos que encontramos na nossa vida diária e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. Em contraposição aos tipos, os gêneros são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas, constituindo em princípio listagens abertas. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante. Como tal, os gêneros são formas textuais escritas ou orais bastante estáveis, histórica e socialmente situadas”. (pg.155)
Após o intervalo, pedi que formassem quatro grupos e sorteei uma unidade para cada grupo que ficou responsável em apresentar a unidade/proposta de trabalho e já fazer “um plano de aula”, fazendo as adaptações necessárias (em que série/turma e como aplicar). Fui atendendo os grupos, dando contribuições, tirando dúvidas. Algumas professoras falaram sobre suas angústias no que diz a respeito a “dar conta de tudo” do programa.
Como praticamente todas já haviam feito a leitura do TP3 e do AAA3, ficou fácil, cada grupo se preocupou com a sua realidade. Muitas foram as contribuições das colegas, temas, assuntos. Quando este “plano de aula” estava no papel, começaram as apresentações, cada grupo apresentou sua unidade e no final de cada apresentação os outros grupos ainda davam sugestões. O fato de todas as professoras do curso já trazerem muitas experiências de sala de aula, da faculdade, dos cursos de especialização e de pós-graduação; fez com que a atividade ficasse muito rica.
Fiquei responsável em providenciar uma cópia de todos os planos de aula e passar para as professoras cursistas, que têm toda a liberdade de usar/ou não em sala de aula. Fiquei muito satisfeita com a forma que trabalhamos o TP 3, ficou claro que todas as professoras gostaram e também estavam satisfeitas, sabendo o que e como levar para a sala de aula.
No período da tarde, levei pipoca e chimarrão para juntas assistirmos “Os Narradores de Javé”. Fizemos uma reflexão sobre o filme, sobre o papel da escrita para aquela comunidade e para a nossa. As professoras fizeram duplas e responderam as dez questões do “Roteiro de Análise”. Todas gostaram do filme, fiz algumas cópias para as professoras que pediram.´



A atividade foi entregue, assim como também foi entregue o “Memorial” que havia sido passado na aula anterior. A seguir passei para elas o “esqueleto” do Projeto de final de curso a ser realizado. Várias professoras ficaram preocupadas em como montar seu Projeto, se podem usar as atividades dos TPS e dos AAAs, tentei tranquilizá-las e mostrei o projeto enviado para nosso email coletivo.
Falei também sobre a criação de um Portofólio, entreguei a cópia para elas dos seguintes textos: “O porta-fólio e a formação do professor reflexivo” de Benigna Maria de Freitas Villas Boas e outro texto “Portofólio: recurso para avaliação, auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal e profissional” de Maria Susley Pereira. Como estávamos chegando ao final da tarde, apenas comentei/apresentei o Portofólio. Pedi que lessem os textos em casa para discutirmos no próximo encontro.